Reflexões acerca do ENEM – Coletâneas de artigos. Parte 02

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Exame Nacional do Ensino médio – ENEM – O fracasso da educação.

por Rayron Dantas Pinheiro a Sábado, 13 de Agosto de 2011 às 15:22

O nobre o querido professor de Biologia do Colégio Farias brito Marcelo Henrique Oliveira Vieira ao postar em seu perfil do Facebook um belíssimo comentário sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), despertou e aguçou em mim um desejo de expressar a minha opinião sobre essa prova a qual me submeto ao seu questionário pela terceira vez.

Por favor, leiam e expressem sua opinião!

Como cada vez mais universidades e cursos de maior prestígio ficam mais longe de grande parte da população brasileira, o ministério da educação (MEC) procura esconder falhas no segundo grau com uma prova mais genérica ainda como o ENEM. Uma prova que é mais uma série de enigmas que uma prova de conhecimento. Onde vejo o problema do afastamento da prova de ingresso na universidade de conteúdos mais genéricos, muito simples, estão cada vez mais aplicando uma prova “cultural” no sentido mais amplo aos alunos. Um exame como o ENEM testa não a capacidade de um aluno apreender algo, testa mais a carga cultural que este teve durante a sua vida, ou seja, o ENEM, por mais absurdo que pareça, é uma prova elitista. Testa-se no ENEM a carga de conhecimentos genéricos que um aluno adquiriu não só na escola, mas na convivência diária com informações culturais mais variadas possível. Se há alguns anos atrás um aluno quisesse ingressar numa boa universidade ele teria que ter em mãos muitos livros, textos básicos e se debruçar sobre eles por um, dois ou três anos, quando ele, por seu esforço pessoal conseguisse dominar aquelas matérias ele lograria êxito no seu vestibular. Hoje em dia, aumentou-se a carga de disciplinas, aumentando o esforço individual que um aluno com ensino de segundo grau deficiente deve fazer.

Com o ENEM, leva-se ao extremo este conceito, o aluno não tem um balizamento do que deve apreender para obter um bom resultado, ele simplesmente deverá ter um bom segundo grau e uma carga de informações culturais adquiridas em seu próprio meio pela leitura de revistas, conversas mais intelectualizadas e logicamente pais com curso superior, o que hoje é difícil de se encontrar em ESCOLAS PUBLICAS! Quanto mais genérica é uma prova, quanto mais amplo for os assuntos a serem compreendidos, maior será a dificuldade de vencer uma prova deste tipo para quem não provém de um meio mais culto, ou seja é um exame elitista. Pergunto a todos o que aconselhariam a um jovem para que ele tenha êxito na prova do ENEM? Para eu é claro, arrume uma boa escola, leia revistas e jornais (não os populares), assistam TV a cabo e conversem com pessoas de bom nível cultural. Fora disto desistam! Estamos mais uma vez escondendo o subdesenvolvimento cultural e a má qualidade do ensino público com a mudança da métrica do exame. Quanto ao exame ser nacional, aí será um desastre maior ainda, sem comentar as características regionais, pergunto quem terá capacidade econômica para mudar de estado para realizar um curso em outra universidade? Os menos favorecidos? Aqueles que por atraso na seriação já estão com compromissos familiares (filhos, esposas e maridos,….) ou aqueles que terminam um segundo grau em uma boa escola. Colocando um pouco mais de lenha na fogueira, a política de cotas, servirá não para os bons alunos do ensino público do estado em que se situa a universidade, mas sim para os bons alunos do ensino dos estados que melhor investem na educação. Imaginando um cenário, o distrito federal por possuir mais recursos para o ensino público, poderá ocupar grande parte das cotas de outros estados, ou ainda, um estado que possua uma classe média negra numerosa, tomará as vagas de outros estados. Resumindo, uma prova baseada em cultura geral exige simplesmente cultura geral! Uma prova nacional acentuará as disparidades regionais. Ranquear-se-á todo o ensino de segundo grau e os estados ou regiões que não tiverem recursos para um bom segundo grau serão simplesmente “invadidos” por alunos que simplesmente estudarão nesses últimos para posteriormente retornar aos seus estados de origem. Além de tudo isto, poderemos supor que o próximo passo será adotar provas do ENEM para cada grupo de modalidades de formação, como o sistema Francês, dando um basta final na possibilidade de um aluno de classe social mais baixa ingressar numa boa universidade. Mas isto já é outro assunto. Outro assunto que não vou comentar no momento é a visão de quem olha de dentro da universidade, esta visão ainda é mais ácida e toca a fundo na instituição UNIVERSIDADE, se os colegas desejarem poderei em outra intervenção colocar uma visão bem pessimista da nossa universidade, onde para a maior parte dos professores o que atrapalha a instituição são os alunos, mas também isto é outro assunto.

 

 

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